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Análise: Pedro conseguiu ser mais pragmático que Cícero

O ato de apoio do PSD e consequentemente do ex-deputado Pedro Cunha Lima, presidente estadual do partido, ao projeto político do prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena (MDB), ocorrido nesta sexta-feira (30), terminou por demonstrar a força do pragmatismo que ainda existe na política da Paraíba.

Que Cícero sempre trabalhou dentro de uma lógica pragmática da política, todo observador sabe. Sempre que disputou cargos públicos, o prefeito pessoense fez uso das tradicionais alianças práticas para alcançar seus objetivos.

Já a trajetória política de Pedro vai na contramão de tudo isso. Desde a primeira disputa até a campanha de governador, o jovem Cunha Lima procurou destoar da maneira como o grupo conduzia as tratativas eleitorais. Assumiu bandeiras indigestas dentro do espectro político ao atacar os privilégios da Assembleia Legislativa e o luxo da Granja Santana, residência oficial do governador.

Além disso, Pedro também conseguiu se vincular à pauta da Educação, ao presidir a comissão que debate o tema na Câmara dos Deputados. Desde então, essa tem sido sua principal bandeira de atuação política na Paraíba, ao ressaltar esses valores como inegociáveis.

Embora tenha conseguido um compromisso futuro do pré-candidato, relacionado ao tema, o ex-deputado ignorou completamente o presente ao fechar essa aliança.

Não custa lembrar que a Prefeitura de João Pessoa, sob o comando de Cícero, foi uma das que recebeu recursos do Governo do Estado, desde 2022, para construção de uma creche e sequer iniciou as obras, segundo relatório do TCE-PB, algo que seria facilmente alvo das críticas do próprio Pedro.

Se em 2022 o então candidato a governador Pedro Cunha Lima recusou uma aliança pragmática com o Republicanos, que à época exigia indicar o secretário de Educação em um futuro governo, agora se submete a um acordo baseado principalmente na formação de uma chapa proporcional para seu partido.

Com a jogada desta sexta-feira, Pedro demonstra ser mais pragmático de que muita gente imaginava. Mais até que o próprio Cícero, que optou por deixar o grupo governista para enfrentar uma eleição solo.