Antecipada como nunca antes, a pré-campanha política deste ano na Paraíba vive a intensidade de um fenômeno cada vez mais complicado de se administrar. Trata-se dos apoios cruzados que os políticos estão firmando para o pleito de outubro próximo.
Tem liderança construindo uma chapa de apoios totalmente heterogênea, formando um palanque mais miscigenado que o sangue do povo brasileiro.
É deputado estadual de um grupo, federal de outro, senador 1 de um lado, senador 2 de outra chapa e governador de vertente diferente. Os prefeitos e lideranças municipais só abrem mão de sugerir seus candidatos quando o assunto é a presidência da República. Neste caso, os partidários são “liberados” a escolher quem comandará os destinos da nação.
Em meio a essa salada com sabores indecifráveis, esta semana o deputado Mersinho Lucena, filho do prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena (MDB), fez acenos para um possível apoio da família ao ex-prefeito de Patos, Nabor Wanderley (Rep), na postulação ao Senado Federal, algo até natural se levarmos em conta o cenário exposto acima.
No entanto, a movimentação causou forte indignação no senador Veneziano Vital (MDB), que chegou a cobrar unidade do grupo. Acontece que o ‘cabeludo’ ignora completamente que ele próprio tem se beneficiado dos apoios cruzados nesta campanha.
Cito apenas dois exemplos que deveriam levar o senador à reflexão antes de fazer qualquer cobrança aos aliados: os prefeitos de Catolé do Rocha e São Bento, cidades do sertão paraibano, escolherem Veneziano e Nabor como seus pré-candidatos ao Senado Federal.
No entanto, nenhum deles irá votar em Cícero Lucena para govenador. Laurinho Maia (Catolé do Rocha) apoiará Efraim Filho (PL) e Geferson Carnaúba (São Bento) votará em Lucas Ribeiro para o Governo do Estado.
As escolhas das lideranças municipais nunca foram empecilho para que o senador emedebista angariasse apoios à sua reeleição, o que torna qualquer cobrança aos aliados, nesse sentido, injusta.
Para cobrar uma chapa uníssona, a unidade precisaria estar em toda a chapa. Do contrário, melhor nem se pronunciar.





